24 de junho de 2014
....a propósito de uma experiência, quase religiosa, vivida com os Swans na Aula Magna faz uns anos.
Dos bons chicotes há tanto para dizer. E sobre isso tão poucos amigos e plataformas para o fazer (tempo das redes sociais, o tanas!). Herman Melville, Cervantes e Neil Gaiman continuam a ser os meus cisnes negros.E depois passa-se por isto, musicalmente ou literariamente, e tudo soa a experiência religiosa. Logo eu, ateu. Desconfio, cada vez mais, da fé dos outros. Creio, cada vez mais, na minha experiência. E por isso os dias passam e eu ouço e leio cada vez mais. É fé ou urgência? 50 minutos como os que se seguem fazem-me crer que existi mais 50 minutos. Isso não só me basta como me ultrapassa.
Mas, no íntimo, tenho dúvidas se é suficiente. Se amanhã o clarinete, que aqui escala o rift repetitivo da guitarra no fim, ecoará nos meus ouvidos ao acordar. Espero que sim... e que se faça transportar com uma dor de cabeça insuportável. Só assim consigo transformar a minha experiência em algo inolvidável. Só assim os 50 minutos se transformam em algo, realmente, religioso/doloroso. Mais dia, menos dia, converto-me. Aceito a dor como marco da experiência em oposição ao prazer balofo e sem sentido. E isto não tem nada de mau nem de fanático. É só desejo de experiência, logo prazer, ao fim ao cabo. E 50 minutos nunca serão nem mais, nem menos, que 50 filhos da puta de minutos. Restam as cicatrizes. Essas, sim, são para a vida. Uns convivem com elas.... outros nem tanto. Eu sou louco ao ponto de as desejar. Por isso ouço Swans, leio Sandman, Moby Dick e Quixote. O carinho que nutro por el ingenioso hidalgo Don Quixote de La Mancha e o seu alguidar na cabeça diz quase tudo sobre mim: não há fé sem experiência, nem experiência sem uma boa dose de cicatrizes e loucura.
2 de fevereiro de 2014
sobre amanhã
Tenho a porra de um hemograma. Odeio números e matemáticas, é sabido. Mas aquela folha de papel é mais do que uma compilação de números. É a filha da puta de uma qualidade virtual de vida.
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