O conceito orientador de uma existência à luz da moral judaico-cristã: o bem e o mal. Nada a declarar não fossem todas as carcaças que teimam em “abrir” nas auto-estradas em contra mão. Dão cabo da amiga linearidade.
Resolvi espreitar o baú: descobri um dos discos que comprei com o meu primeiro salário. Ouvia-o, antes de o ter, desde os meus 14 anos. Benesses de ter tido um vizinho com uma quase Harley que viajava mundo. Ao "mergulhar" novamente nele é impossível não me questionar sobre o futuro de um pai de família. Não sou estranho por o ter ouvido...sou-o por o buscar agora e fazer-me mais sentido hoje que ontem.
O plano de uma discussão é um pouco como as regras de um jogo: há tanta gente a jogar Futebol com adversários que jogam Golfe....que assusta. Por muito que se aumentem o número de árbitros há jogadores incorrigíveis. É um pouco como o fundamentalista... no fundo há sempre um gajo que pensa alto.
Anda por aí tanto filho da puta preocupado com o casamento homossexual e consequente adopção de crianças....que fico arreliado. Então esses cabrões preferem dedicar a sua militância politica a estas causas quando os Armandos Varas e os Dias Loureiros(eventualmente)ROUBAM recursos essenciais ao verdadeiro desenvolvimento de centenas de crianças (via distribuição de recursos de um Estado de Providência supostamente justo)?
Preferem ver as crianças educadas sob o paradigma pedagógico-rebanho em centros de salsichas educativas?
Oportunamente pouso no ecrã Yo La Tengo. Popular Songs, desde Setembro nas lojas. Nos ouvidos há mais de 20 anos...mas de muito poucos. Não se entende.
Talvez porque sempre que a ela retorno cheiro em mim o odor daquele casaco de camurça, herança de um avô querido. Cheiro o tempo em que ele me servia, o tempo em que eu o servia.
E porque, apesar de tudo, o seu impacto é tal, continuo a vesti-lo sem o vestir, continuo a ser Rei do mediterrânico autocarro que me levava da escola a casa. Este violoncelo de adeus continua a elevar-se ao som do motor que aquecia o longo banco traseiro. Nele observava, ainda, o jardim do Campo Grande onde mais tarde me deitaria em braços alheios. Já sem o velho Walkman com o som de quem se gosta que abala…mas sempre com aquele casaco castanho e sem quem abalou.
Braços idos e vindos os que soavam nesse grande campo da juventude.
Frases que ficam dedilhadas em todos os futuros braços em que me deitarei.
Cheiros de arcos nos atritos de violinos que sem roçar planam nas cordas do meu futuro.
Diálogos atonais interrompidos por um tempo sem data.
Quem abala sempre algo deixa: uma música de eterno retorno!
E, quando abalar, que deixarei? Um casaco para quem frio tenha e uma banda sonora que, hoje, é toda minha.
Até quando a arte se mescla em política perdida, lascas de hedonismo. (pré)sinto-me longe do voto! Mais (de)voto contra a disciplina partidária de uma democracia fúngica.
A i(n)(rre)quietude de Jism transpira proximidade. Tão próximo que incomoda. Tão carnal de sangue e saliva que, por momentos, penso em um de nós. E, quando nos falam ao ouvido, até parece que gritam. Descobrindo o caminho para o mundo…
O nojo da pornografia social no seu melhor. Da minha parte não sei se é prazer, simples raiva ou mesmo doença, esta minha tentativa em descolorir o coração. Podem crer que é libertadora mas fica-me sempre aquele apego e compreensão pelos ataques bombistas cirúrgicos. Para o clássico argumento de que só se vende porque há quem compre, respondo com a inevitabilidade do consumo da droga: ao traficante, esse pobre comerciante de doces néctares, resta-lhe o oportunismo de uma actividade egoísta e monetariamente compensatória. Ao drogado a fuga! Venha o bombista e opte por um dos dois: o que foge ou aquele que enche os bolsos. Eu vou continuar a rasurar enquanto a tinta não esgotar.
Os blogs onde pouso os olhos diariamente são escassos. As razões dessa aparente apatia são várias mas há uma que se evidencia: o fascínio pela imensidão não resolve o receio da solidão. Apesar disso há oásis… uns frescos outros nem tanto. Asseguro a minha pseudo anarquia convicta através da leitura de enervantes blogs de índole política: Armados em Cachimbos que pretendem Arrastar as ideias para uma qualquer foz poluída. Não comento, analiso ou reflicto. Sou um leitor despreocupado vendo a banda passar.
Depois há, de facto e de afecto, blogs que me surripiam à caixa de toque quotidiana. São dois ou três… que na realidade me interrogam sobre a imagem repercutida da coluna vertebral do homem.
Um desses não tem qualquer paralelo com o design anatómico, nem conceptualmente, de uma coluna vertebral. O blog da Ana que nem vive em Amsterdam merece banda sonora reactiva. Acompanho-o há uns anos e prefiro-o há televisão. Quando grunhe como um orangotango: bato no peito que nem Tarzan!
No outro dia fiquei perplexo: ora não é que a Ana se esqueceu da Jenny. A tal do Zepelin… que salva a terra deleitando-se com o homenzinho verde. Acredita a Ana que aos Led Zepplin resta a marca de menoridade masculina. Ora, cara Ana, foi graças a eles que a Jenny teve energia e alento para se deitar com o homenzinho verde.
Em (cantado) vale do Douro de pseudo terapias adolescentes… lembrei-te. Neste virar de esquina da escuridão da lua cheia de Maio, sei que onde estás, a noite será sempre dos bichos!
… e porque, humildemente, penso que estamos perante um dos grandes acontecimentos musicais da primeira década do milénio….dou-vos mais uma (a)posta de DM Stith.
No momento em que me deparei com os Animal Collective em amena confraternização com Bon Iver, lembrei-me de “Até Domingo que Vem” …. uma antiga música do SG que diz a páginas estampas: “aqui estamos em salamaleques, a lamber mãos feitas para abanar leques”.
Não é que DM Sith as lambe com tal proficiência erótica que até arrepia?!
À medida que o elevador sobe para o 11º andar ouço a resposta, aos gritos, que a mãe dá à sua filha “DEIXA LÁ O HOMEM IR PARA A CASA DELE!” A pergunta colocada, ainda, enquanto os três partilhávamos aquele cubículo metálico era: “Porque é que somos sempre os primeiros a sair?” Era gorda a vaca! Talvez por isso o meu medo em andar de elevador teime em não desaparecer. Ao colocar a chave na ranhura da porta de casa lembrei-me do último vídeo dos Depeche Mode.
Não ouso colocar a fotografia que o adulto de 1,75m, 80 kg, colocou na capa do seu trabalho para apresentação a Júri de certificação escolar de 9º ano no âmbito de um processo de RVCC. Uma mulher anoréctica que, não fosse o ambiente que a cercava, bem podia ser uma vítima do holocausto. O trabalho versava, claro está, a anorexia. Recusei-me a aceitar esse trabalho para a referida sessão somente porque a fotografia não o favorecia.
A questão do casamento dos homossexuais preocupa-me tanto como a do casamento só por si: parecem-me, ambos, uma questão de (des)ordem natural das coisas. Há, no entanto, algo que não é tão pacifico face à minha visão estrutural da natureza: um índio e um cowboy juntos, bamboleando a anca, com ar de satisfação.
Apesar de tudo há limites para a minha “abertura”. O polícia e o trolha ainda vá que não vá: trabalhos arriscados implicam sempre um certo nível de segurança Agora não permitam que índios, de mão dada com cowboys, caminhem alegremente para Oeste (até porque Arruda fica para esses lados). São dois “géneros” com tecnologias bastante diferentes: um Colt não casa com uma flecha apesar de macho e fêmea.
Há quem inicie petições no sentido de colocar lombas à porta de casa. Junta uma série de vizinhos, todos com petizes, e congregam as suas assinaturas numa pequena folha A4. O presidente da junta, homem de bem, lá coloca o cimento no alcatrão. Ao ouvir esta semi Palhaçada de Deus surgiu-me a ideia de fazer o mesmo: estou a iniciar uma petição no sentido de tornar o termo Taquicardia obsoleto, substituindo-o por Tictacardia. Contactei a Edite Estrela em busca de apoio. Encontrei-a em estranhos preparos com o Principezinho. Achei melhor voltar mais tarde. Espero que não o tenha engolido à imagem da cobra chapéu.