O domínio do fogo acompanhou o da linguagem.
O calor da palavra, numa incandescente evolução verbal, cresceu a par da verticalidade num esqueleto cultivado a leite da mãe. Tudo na caverna ancestral do animal que fomos e somos.
A capacidade de evocar as cinzas do passado e a previsão acerca da viagem dos fumos do futuro são um salto evolutivo feito fogo e palavra. Esse diálogo sobre o passado e o futuro dominado pela palavra dita e o fogo outrora novo, marca a verticalidade preguiçosa do macaco ou carro elétrico, se assim quisermos. Tanto se dá, na verdade.
E apesar de hoje celebrarmos o traço na sombra da parede calcária ao fim do trilho gravado no cansaço das ervas frescas, esquecemo-nos que o som, esse, existia há milénios.
Foi a água antes do fogo Não precisou de ser inventado porque sempre lá esteve.
Não nos fez descer da árvore mas eventualmente fez-nos voar...antes de caminhar.
Pena que o tempo esteja a arrefecer e o macaco, aos olhos dos incautos modernos, continue preguiçoso.
A imagem na caverna, fria e silenciosa, ecoa melodias que urgem resgatar aos olhos dos que elas hoje falam.
E pouco importa a força motriz do carro de hoje. Fogo ou eletricidade, verbo ou adjetivo, ele sempre será som para os que verdadeiramente o conduzem.