
Despediu-se ontem o Prof. Pina Prata.
Agora sim posso dizer que nunca mais entenderei a enigmática dedicatória que me escreveu no seu último livro.
Não sei porquê mas só me apetece dizer: ainda bem.
Transcrevo, em baixo, um pequeno excerto dos apontamentos com que nos presenteava antes das suas aulas. Fala do seu violino e das “cordas básicas terapêuticas”.
E assim, também, cantavam as suas cordas pedagógicas.
“Vejo o meu violino, com as suas quatro cordas , tensas sobre o cavalete – sol / re / la / mi – , que, pisadas pelos dedos, à passagem do arco, faziam brotar melodias cuja qualidade dependia das virtualidades de ressonância da madeira e construção do corpo do violino do meu Steiner.”
(...) “As nossas quatro cordas básicas terapêuticas serão as bem timbradas do ouvir-ver, responder, perguntar , sentir; entre si afinadas e com dedilhar ajustado, em combinações de ritmos de espaço tempo, cordas de um violino , cujo ecoar depende do modo como fomos arqueando uma boa caixa de ressonância sócio-afectiva emocional, tirando aqui espessura, ali, criando juntas de segura vibração e , combinando com isto, um bom arco de sedas deslizantes de respeitosa delicadeza de cada movimento, em suficiente tensão, facilitando, com o seu ritmo, o deslizar dos dedos , o saltear dos mesmos , no encontro do ponto harmónico exacto entre as múltiplas cordas.”
Apontamentos para alunos de Pós Graduação - 29 de Abril de 2003
Francisco Xavier Pina Prata
Obrigado.
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