26 de fevereiro de 2009
24 de janeiro de 2009
ateus apalhaçados
Há quem inicie petições no sentido de colocar lombas à porta de casa. Junta uma série de vizinhos, todos com petizes, e congregam as suas assinaturas numa pequena folha A4. O presidente da junta, homem de bem, lá coloca o cimento no alcatrão.
Ao ouvir esta semi Palhaçada de Deus surgiu-me a ideia de fazer o mesmo: estou a iniciar uma petição no sentido de tornar o termo Taquicardia obsoleto, substituindo-o por Tictacardia. Contactei a Edite Estrela em busca de apoio. Encontrei-a em estranhos preparos com o Principezinho. Achei melhor voltar mais tarde. Espero que não o tenha engolido à imagem da cobra chapéu.
Placebo e David Bowie - "Without you I´m nothing”
22 de janeiro de 2009
Es claro cimentos

Fica tanta coisa por esclarecer quando posto como quando num posto.
Felizmente há gente com ideias
Wassily Kandinsky, Contrasting Sounds 1924
27 de dezembro de 2008
Nine Inch Nails - Ghosts IV - 34
NIN menos sexuais ? Quem disse !?
O outro do filme dizia qualquer coisa do tipo: "Pergunta-te quem és e ainda te lixas"
Ouvir Ghosts dos NIN é um pouco como beliscar a reflexividade lixando o próximo.
Bons fantasmas no ano que se aproxima!
4 de dezembro de 2008
Das greves dos Profs
26 de novembro de 2008
Correio DOG mático
O correio é como o cão: só caga se lhe apetece!
The Postal Service,"The District Sleeps Alone Tonight"
Uma "carta" Sub Pop 2003 - "Give Up"
25 de novembro de 2008
Uma selvagem adolescência

Todas as adolescências tiveram a sua selvagem Kim. A minha surgiu rodeada de cobras quando Freud ainda me TENTAVA explicar o Bê a Bá.
Hoje fui olhar para ela… passados muitos anos. Vi a Kim Wilde, com 50 anos, a fazer jardinagem. EXIJO as putas das cobras de volta se faz favor!
Opto por mostrar uma cópia de um dos primeiros Vinil que adquiri. Aquele vinil que perguntava: “és suficientemente crescido para mim?”
15 de novembro de 2008
Bienal Jovens Criadores
13 de novembro de 2008
Fraser my man !

Um gajo verdadeiramente de esquerda é de direita. O inverso também se aplica mesmo que o indivíduo em causa considere desrespeitosa a denominação de gajo. Parece-me que mesmo no binómio conservador/liberal a lógica será a mesma.
Para quando a abolição desta anomalia intelectual linear?
A espiral não vos é mais ilustrativa da realidade? Nem que seja a de Fraser !?
Iludam-se ao menos!
Por mim, ando coxo e enjoado de tanta recta!
25 de outubro de 2008
Um Brother Grito

Passei os dedos sobre a capa de Hunky Dory e lá estava o homem com olhar lisérgico e desesperado fitando minha parede. Era mais um homem que não podia me julgar. Ele não estava lá para isso. Mas tinha a sutil função de embalar minhas loucuras tristes e meus dias vazios com suas canções sobre astronautas. Os dias que foram e os que viriam. Mal sabia eu. Liguei a tv e entre notícias sobre o filme que Robert De Niro dirigira e mais um discurso de Bush na CNN, peguei no sono.
Acordei por volta das cinco da manhã levemente atormentada pelo sonho ruim. Tenho horror a sonhos desde pequena. Não consigo me lembrar de nenhum que tenha sido bom. Nunca sonhei que eu dirigia uma Mercedes com a cabeça pra fora, sentindo o vento da estrada bater na cara com Roadhouse Blues de trilha sonora. Sempre sonhei coisas ruins com pessoas desagradáveis. E quando surgia alguma pessoa querida no sonho, toda a história que a envolvia era sombria e desesperadora. A tv continuava ligada e passava o trailer de Maria Antonieta, de Sofia Copolla. Não tinha legenda e eu, ainda embriagada de sono, não conseguia entender inglês. Ouvi um barulho e percebi que vinha do meu celular. Mensagem de texto. O pai de uma amiga falecera. Àquela altura da noite e da vida, não poderia mesmo ser algo agradável.
Eram oito da manhã quando cheguei ao velório. Fui de jeans e camiseta preta. Minha roupa habitual, é verdade, mas pensei que a camiseta preta seria simbólica. Minha amiga estava calada, sem maquiagem alguma e completamente frágil. Abracei-a. E com minha boca grudada em seus cabelos, falei baixinho “Meus pêsames”. O lugar não era nada agradável e de tempo em tempo, sentia coisas estranhas correndo pelo meu corpo. Morte é mesmo um troço louco. Sentei em um banco de madeira que ficava embaixo de um coberto e acendi um cigarro. Pensei que, por educação talvez, eu deveria ir olhar o homem. O morto. Nem consegui terminar o cigarro. Joguei-o na grama e fui encarar o homem dentro do caixão. Ele estava bonito. Não estou sendo desrespeitosa, juro. O homem estava metido num terno bonito e seus cabelos estavam penteados. Pensei em coisas boas e, de alguma forma, tentei transmiti-las ao defunto. “É… Pior que essa vida aqui não pode existir…”
Cheguei em casa aturdida. Não me apetecia dormir, nem comer. Doía lembrar da minha amiga. Às vezes dá vontade de tomar o sofrimento dos outros. Tirar com a mão, roubar. “Me dá isso tudo que eu quero sentir”. Não sei, é louco. Ninguém alivia ninguém. Tem dor que não cura. Me drogar não cura a dor, trepar não cura a dor, encher a cara não cura a dor. Dores mundanas, as piores.
Coloquei Hunky Dory na vitrola. Não gosto de falar “toca discos”. Papai sempre falou “vitrola” e é “vitrola” que eu falo, e é na vitrola que eu toco meus discos. Ele, então, começou a me aliviar cantando The Bewlay Brothers. Fiquei de pé no meio da sala com os olhos fechados. Minha dor indo embora pra um lugar desconhecido. Os olhos fechados do morto na minha cabeça, o cabelo dela na minha boca, a vontade de sentir aquela dor, de curar. Curar loucamente uma dor que não era minha. Era dela e do mundo. Era dos olhos dele, um azul e um verde. Eram nossas vidas cruzadas, nossas mortes, nossos sonos, nossos olhos. Eu, ela, o morto, Bowie e a realidade que nos conectava enquanto The Bewlay Brothers tocava.
in último grito
24 de outubro de 2008
20 de outubro de 2008
Bom Inverno !
A propósito da estação cavernosa
Há guitarras eléctricas e acústicas. Velhas e novas. E há, acima destas todas, as sabidas. São aquelas que mais do que se fazerem ouvir já escutaram muito. Absorvem o suor daquela sétima menor que demorou anos a automatizar. Transpiram a intensidade do Mi maior expulsando energia feita som. Elevaram-se quase a instrumento de sopro perante o Lá menor dedilhado, sem verter uma lágrima de seiva. A guitarra de Bon Iver é sabichona! Os intervalos, grandes ou subtis, são passos auditivos, caminhadas de movimento. Às vezes em botas cardadas outras em pé descalço.
As cicatrizes das guitarras sabidas são belas. Aliás, entenda-se, que a própria definição de cicatriz deveria ser bela. Não há identidade sem cicatrizes e não há guitarras sabidas sem identidade. A guitarra sabida não é espelho de virtuosismo ou conhecimento. Ela sabe que o movimento pode não ser continuum. Tem tanto de orgânica como a madeira que a compõe: velha e desgastada, por vezes mecanizada num contra-tempo cheio de contra-dições.
Ocasionalmente solta um gemido feito suspiro de como quem diz: “ fui parceira das tuas conquistas amorosas, companheira dos teus desgostos, bebedeira das tuas alegrias, alucinação das tuas viagens e cabide do teu alheamento…. Falo com propriedade (idade própria)”
Ao pó que pousa na guitarra sabida resta a consciência de uma aterragem insegura. Um destino de incerteza povoado pelo circo(lo) mágico. Uma mundo de malabarismos apalhaçados onde a vida certamente emita a arte ou a politica (cli-ché Guevara).
Eis um retrato desta guitarra em fase de maturidade…por um seu companheiro de estrada!
16 de outubro de 2008
2 de outubro de 2008
Música Infantil
Ser-se pai tem coisas estranhas (musicalmente falando). Desde uma estranha mania de andar a atirar paus aos gatos, como se estes fossem conhecidos pela sua capacidade de submissão à vontade humana, até abrir alas para o Noddy, alas de hospital porque o raio do boneco sofre de icterícia. Toda a figura triste se me afigura plausível neste cenário.
A mais brilhante é a melodia das galinhas e a mensagem a ela associada. Elas picam…fazem buraquinhos e ainda se dizem doidas! Ora doido fico eu...e a linha entre a loucura e a sanidade é ténue segundo os especialistas.
Como contributo de pai musicalmente angustiado coloco Kid Koala em som denominado Like Irregular Chickens do álbum Carpal Tunnel Syndrome.
Se o bicho (i.e., puto Carlos) se aproximar do meu portátil daqui a 10 dias sem gritar, alarvemente, TOTI, TOTI, TOTI….significa que este post atingiu os seus objectivos.
25 de setembro de 2008
Bon Iver
Segundo as crónicas Bon Iver (Justin Vernon), de 27 anos, refugiou-se numa remota cabana em Wisconsin com uma guitarra (companhia), uma arma (alimento) e um machado (calor). Tinha como objectivo procurar espaço. Acabou por realizar o seu primeiro disco e um dos melhores que tenho ouvido nos últimos tempos. Tudo isto sarando feridas, comendo veado e bebendo cerveja…
Chama-se o disco “For Emma, Forever Ago”.
A faixa: "The Wolves (Act I and II)"
Sandman
O meu Cobain, Joplin, hendrix ou Jim…
Sandman foi taxista antes de me reinventar...e ao baixo que tocava.
Uma faixa do primeiro disco dos Morphine “Good” de 1992.
Só é The Saddest Song porque já cá não está!
vale a pena recordar um pouco mais:
Contadores de histórias
A tradição narrativa de Cash não morrerá certamente. Um bom exemplo surge em Carolina Drama (projecto White - The Raconteurs).
Quem é quem ou onde está o White ?
I'm not sure if there's a point to this story
but im going to tell it again
So many other people trying to tell the tale
but not one of em knows the end
It was a junk house in South Carolina
Held a boy the age of ten
Along with his older brother billy his mother and her boyfriend
Who was a triple loser with blue tattoos
That were given to him when he was young
And a drunk temper that was easy to lose
that Thank god he didn't own a gun
Well Billy woke up in the back of his truck
Took a minute to open his eyes
He took a peep into the back of the house
And found himself a big surprise
He didnt see his brother but there was his mother
With a red-headed head in her hands
While the boyfriend had his gloves wrapped around an old priest
Trying to choke the man Ah...
Billy looked up from the window to the truck
Threw up and had to struggle to stand
He saw that redneck bastard with a hammer
turn the priest into a shell of a man
The priest was putting up the fight of his life
But he was old and he was bound to lose
The boyfriend hit as hard as he could
And knocked the priest right down to his shoes
Well now Billy knew but never actually met
The preacher lying there in the room
he heard himself say that must be my daddy
Then he knew what he was gonna do
Billy got up enough courage to get up
and grab the first blunt thing he could find
It was a cold glass bottle of milk
That was delivered every morning at nine. Ah...
Billy broke in and saw the blood on the floor
and he turned around and put the lock on the door
He looked straight into the boyfriend eye
His mother was a ghost too upset to cry
He took a step towards the man on the ground
From his mouth trickled out an inaudible sound
He heard the boyfriend shout Get out!
And Billy said not til I know what this is all about
Well this preacher here was attackin your momma
But Billy knew that she was caught in the drama
So Billy took dead aim at his face
Smashed the bottle on the man that left his dad in disgrace
The white milk dripped down with the blood
and the boyfriend fell dead for good
Right next to the preacher who was gaspin' for air
Billy shouted daddy why'd you have come back here?!
His Mother reached behind the sugar and honey and
Pulled out an envelope filled with money
Your daddy gave us this she collapsed in tears
He's being paying all the bills for years
Momma lets but this body underneath the trees
Put daddy in the truck and head for Tennessee
Just then his little brother came in
holding the milkman's hat and a bottle of gin
singin lalala lalala yeah
lalala lalala yeah
lalala lalala (3x)
Well now heard another side to the story
But you wanna know how it ends
If you must know the truth about the tale go and ask the milkman
20 de setembro de 2008
audio visual
Com excepção do Lawrence (num registo completamente diferente) nunca o som casou tão bem com as imagens como em Dead Man.
Maurice Jarre embala, em teias de som, o sol enquanto este adormece nas areias do deserto…. Young desperta todos os fantasmas do novo mundo.
ps.....vejam a porra dos dois clips até ao fim sff!
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