20 de março de 2009
Cú ou Ti Diana mente II
À medida que o elevador sobe para o 11º andar ouço a resposta, aos gritos, que a mãe dá à sua filha
“DEIXA LÁ O HOMEM IR PARA A CASA DELE!”
A pergunta colocada, ainda, enquanto os três partilhávamos aquele cubículo metálico era: “Porque é que somos sempre os primeiros a sair?”
Era gorda a vaca! Talvez por isso o meu medo em andar de elevador teime em não desaparecer.
Ao colocar a chave na ranhura da porta de casa lembrei-me do último vídeo dos Depeche Mode.
12 de março de 2009
9 de março de 2009
HistóriaS de VidaS
Não ouso colocar a fotografia que o adulto de 1,75m, 80 kg, colocou na capa do seu trabalho para apresentação a Júri de certificação escolar de 9º ano no âmbito de um processo de RVCC. Uma mulher anoréctica que, não fosse o ambiente que a cercava, bem podia ser uma vítima do holocausto.
O trabalho versava, claro está, a anorexia.
Recusei-me a aceitar esse trabalho para a referida sessão somente porque a fotografia não o favorecia.
Cú ou Ti Diana mente I
À pergunta “Como é que vai a sua saúde?”, nunca respondo.
Acho desagradável falar de terceiros na sua ausência.
6 de março de 2009
Gay Post
A questão do casamento dos homossexuais preocupa-me tanto como a do casamento só por si: parecem-me, ambos, uma questão de (des)ordem natural das coisas.
Há, no entanto, algo que não é tão pacifico face à minha visão estrutural da natureza: um índio e um cowboy juntos, bamboleando a anca, com ar de satisfação.
Apesar de tudo há limites para a minha “abertura”. O polícia e o trolha ainda vá que não vá: trabalhos arriscados implicam sempre um certo nível de segurança
Agora não permitam que índios, de mão dada com cowboys, caminhem alegremente para Oeste (até porque Arruda fica para esses lados). São dois “géneros” com tecnologias bastante diferentes: um Colt não casa com uma flecha apesar de macho e fêmea.
26 de fevereiro de 2009
24 de janeiro de 2009
ateus apalhaçados
Há quem inicie petições no sentido de colocar lombas à porta de casa. Junta uma série de vizinhos, todos com petizes, e congregam as suas assinaturas numa pequena folha A4. O presidente da junta, homem de bem, lá coloca o cimento no alcatrão.
Ao ouvir esta semi Palhaçada de Deus surgiu-me a ideia de fazer o mesmo: estou a iniciar uma petição no sentido de tornar o termo Taquicardia obsoleto, substituindo-o por Tictacardia. Contactei a Edite Estrela em busca de apoio. Encontrei-a em estranhos preparos com o Principezinho. Achei melhor voltar mais tarde. Espero que não o tenha engolido à imagem da cobra chapéu.
Placebo e David Bowie - "Without you I´m nothing”
22 de janeiro de 2009
Es claro cimentos

Fica tanta coisa por esclarecer quando posto como quando num posto.
Felizmente há gente com ideias
Wassily Kandinsky, Contrasting Sounds 1924
27 de dezembro de 2008
Nine Inch Nails - Ghosts IV - 34
NIN menos sexuais ? Quem disse !?
O outro do filme dizia qualquer coisa do tipo: "Pergunta-te quem és e ainda te lixas"
Ouvir Ghosts dos NIN é um pouco como beliscar a reflexividade lixando o próximo.
Bons fantasmas no ano que se aproxima!
4 de dezembro de 2008
Das greves dos Profs
26 de novembro de 2008
Correio DOG mático
O correio é como o cão: só caga se lhe apetece!
The Postal Service,"The District Sleeps Alone Tonight"
Uma "carta" Sub Pop 2003 - "Give Up"
25 de novembro de 2008
Uma selvagem adolescência

Todas as adolescências tiveram a sua selvagem Kim. A minha surgiu rodeada de cobras quando Freud ainda me TENTAVA explicar o Bê a Bá.
Hoje fui olhar para ela… passados muitos anos. Vi a Kim Wilde, com 50 anos, a fazer jardinagem. EXIJO as putas das cobras de volta se faz favor!
Opto por mostrar uma cópia de um dos primeiros Vinil que adquiri. Aquele vinil que perguntava: “és suficientemente crescido para mim?”
15 de novembro de 2008
Bienal Jovens Criadores
13 de novembro de 2008
Fraser my man !

Um gajo verdadeiramente de esquerda é de direita. O inverso também se aplica mesmo que o indivíduo em causa considere desrespeitosa a denominação de gajo. Parece-me que mesmo no binómio conservador/liberal a lógica será a mesma.
Para quando a abolição desta anomalia intelectual linear?
A espiral não vos é mais ilustrativa da realidade? Nem que seja a de Fraser !?
Iludam-se ao menos!
Por mim, ando coxo e enjoado de tanta recta!
25 de outubro de 2008
Um Brother Grito

Passei os dedos sobre a capa de Hunky Dory e lá estava o homem com olhar lisérgico e desesperado fitando minha parede. Era mais um homem que não podia me julgar. Ele não estava lá para isso. Mas tinha a sutil função de embalar minhas loucuras tristes e meus dias vazios com suas canções sobre astronautas. Os dias que foram e os que viriam. Mal sabia eu. Liguei a tv e entre notícias sobre o filme que Robert De Niro dirigira e mais um discurso de Bush na CNN, peguei no sono.
Acordei por volta das cinco da manhã levemente atormentada pelo sonho ruim. Tenho horror a sonhos desde pequena. Não consigo me lembrar de nenhum que tenha sido bom. Nunca sonhei que eu dirigia uma Mercedes com a cabeça pra fora, sentindo o vento da estrada bater na cara com Roadhouse Blues de trilha sonora. Sempre sonhei coisas ruins com pessoas desagradáveis. E quando surgia alguma pessoa querida no sonho, toda a história que a envolvia era sombria e desesperadora. A tv continuava ligada e passava o trailer de Maria Antonieta, de Sofia Copolla. Não tinha legenda e eu, ainda embriagada de sono, não conseguia entender inglês. Ouvi um barulho e percebi que vinha do meu celular. Mensagem de texto. O pai de uma amiga falecera. Àquela altura da noite e da vida, não poderia mesmo ser algo agradável.
Eram oito da manhã quando cheguei ao velório. Fui de jeans e camiseta preta. Minha roupa habitual, é verdade, mas pensei que a camiseta preta seria simbólica. Minha amiga estava calada, sem maquiagem alguma e completamente frágil. Abracei-a. E com minha boca grudada em seus cabelos, falei baixinho “Meus pêsames”. O lugar não era nada agradável e de tempo em tempo, sentia coisas estranhas correndo pelo meu corpo. Morte é mesmo um troço louco. Sentei em um banco de madeira que ficava embaixo de um coberto e acendi um cigarro. Pensei que, por educação talvez, eu deveria ir olhar o homem. O morto. Nem consegui terminar o cigarro. Joguei-o na grama e fui encarar o homem dentro do caixão. Ele estava bonito. Não estou sendo desrespeitosa, juro. O homem estava metido num terno bonito e seus cabelos estavam penteados. Pensei em coisas boas e, de alguma forma, tentei transmiti-las ao defunto. “É… Pior que essa vida aqui não pode existir…”
Cheguei em casa aturdida. Não me apetecia dormir, nem comer. Doía lembrar da minha amiga. Às vezes dá vontade de tomar o sofrimento dos outros. Tirar com a mão, roubar. “Me dá isso tudo que eu quero sentir”. Não sei, é louco. Ninguém alivia ninguém. Tem dor que não cura. Me drogar não cura a dor, trepar não cura a dor, encher a cara não cura a dor. Dores mundanas, as piores.
Coloquei Hunky Dory na vitrola. Não gosto de falar “toca discos”. Papai sempre falou “vitrola” e é “vitrola” que eu falo, e é na vitrola que eu toco meus discos. Ele, então, começou a me aliviar cantando The Bewlay Brothers. Fiquei de pé no meio da sala com os olhos fechados. Minha dor indo embora pra um lugar desconhecido. Os olhos fechados do morto na minha cabeça, o cabelo dela na minha boca, a vontade de sentir aquela dor, de curar. Curar loucamente uma dor que não era minha. Era dela e do mundo. Era dos olhos dele, um azul e um verde. Eram nossas vidas cruzadas, nossas mortes, nossos sonos, nossos olhos. Eu, ela, o morto, Bowie e a realidade que nos conectava enquanto The Bewlay Brothers tocava.
in último grito
24 de outubro de 2008
20 de outubro de 2008
Bom Inverno !
A propósito da estação cavernosa
Há guitarras eléctricas e acústicas. Velhas e novas. E há, acima destas todas, as sabidas. São aquelas que mais do que se fazerem ouvir já escutaram muito. Absorvem o suor daquela sétima menor que demorou anos a automatizar. Transpiram a intensidade do Mi maior expulsando energia feita som. Elevaram-se quase a instrumento de sopro perante o Lá menor dedilhado, sem verter uma lágrima de seiva. A guitarra de Bon Iver é sabichona! Os intervalos, grandes ou subtis, são passos auditivos, caminhadas de movimento. Às vezes em botas cardadas outras em pé descalço.
As cicatrizes das guitarras sabidas são belas. Aliás, entenda-se, que a própria definição de cicatriz deveria ser bela. Não há identidade sem cicatrizes e não há guitarras sabidas sem identidade. A guitarra sabida não é espelho de virtuosismo ou conhecimento. Ela sabe que o movimento pode não ser continuum. Tem tanto de orgânica como a madeira que a compõe: velha e desgastada, por vezes mecanizada num contra-tempo cheio de contra-dições.
Ocasionalmente solta um gemido feito suspiro de como quem diz: “ fui parceira das tuas conquistas amorosas, companheira dos teus desgostos, bebedeira das tuas alegrias, alucinação das tuas viagens e cabide do teu alheamento…. Falo com propriedade (idade própria)”
Ao pó que pousa na guitarra sabida resta a consciência de uma aterragem insegura. Um destino de incerteza povoado pelo circo(lo) mágico. Uma mundo de malabarismos apalhaçados onde a vida certamente emita a arte ou a politica (cli-ché Guevara).
Eis um retrato desta guitarra em fase de maturidade…por um seu companheiro de estrada!
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